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18.agosto.2021

ARTROSE DE JOELHO

Também conhecida como osteoartrose ou osteoartrite, é uma doença que acomete a articulação do joelho como um todo.

A artrose pode ser definida como um desgaste do joelho, de sua cartilagem e dos meniscos. É considerada a doença do SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO mais comum do mundo! Estima-se que até metade das pessoas com mais de 65 anos de idade possam ter algum impacto devido à artrose. Estudos mostram uma probabilidade de aumentar 7 vezes os casos de artrose no mundo até 2030! 

No passar da vida, os joelhos são uma das articulações que mais recebem impacto. Além do impacto das atividades diárias, algumas pessoas podem ter “gastado um pouco mais” os joelhos, como ex-atletas ou após alguma lesão do joelho (lembra daquela lesão de menisco ou ligamento há mais de 10 anos?). Tudo isso pode predispor à degeneração da cartilagem articular, levando ao desenvolvimento da artrose de joelho.
Apesar da degeneração crônica da articulação e possível progressão do quadro, a artrose dos joelhos (gonartrose) pode ter uma excelente evolução quando tratada de forma adequada, permitindo um retorno sem dor às suas atividades. Se você quer saber tudo sobre a artrose dos joelhos, inclusive as melhores e mais novas formas de tratamento, não deixe de ler até o final!

Tente imaginar o joelho como sendo um carro. Para um bom funcionamento, o carro precisa estar com os pneus (cartilagem), amortecedores (menisco) e o lubrificante (líquido sinovial) em bom estado. O joelho funciona da mesma forma. A artrose de joelho nada mais é do que “um carro que foi gastando com o tempo, mesmo que não tenha tido nenhuma batida”.

O joelho é uma articulação formada pelos ossos do fêmur e da tíbia (além da patela que fica na frente do joelho), funcionando como uma dobradiça. Assim, para que ocorra uma movimentação suave e sem atritos, é preciso que as estruturas internas do joelho (como a cartilagem e os meniscos) estejam funcionando bem. Preste bastante atenção nessa imagem, ela vai lhe ajudar bastante a entender como funciona o joelho. Esse é o primeiro passo para uma compreensão completa da artrose (osteoartrite) dos joelhos.

A CARTILAGEM tem um papel fundamental para o joelho, protegendo o osso que fica abaixo dela (osso subcondral). Além disso, ela participa da produção de substâncias como o líquido sinovial, um verdadeiro “lubrificante do joelho” (dá para ver na imagem o líquido sinovial preenchendo todo o joelho?).

Conforme a cartilagem vai ficando mais fina, o OSSO SUBCONDRAL (aquele que fica embaixo da cartilagem) começa a reagir (já que ele passa a receber mais impacto, pois está perdendo a proteção da cartilagem).

Com a progressão da perda da cartilagem (evolução da artrose de joelho), passa a existir o contato “OSSO COM OSSO” (redução do espaço articular). Isso faz com que o osso abaixo da cartilagem fique inflamado e mais duro (esclerose do osso subcondral), além de aumentar a formação dos osteófitos (os famosos “bicos de papagaio”), que são tão comuns na artrose de joelho.

TIPOS DE ARTROSE

Na ARTROSE PRIMÁRIA, não existe uma causa direta. Ela está mais relacionada ao processo de envelhecimento natural e ao desgaste do joelho. Geralmente, esses quadros são progressivos e crônicos. Podem estar associadas com sobrepeso, histórico familiar (existem algumas teorias que mostram uma predisposição genética) e perda de massa muscular. De forma geral, mulheres costumam ser mais acometidas pela artrose do que os homens. Além disso, pessoas com atividades de alto impacto (esportivas ou mesmo no trabalho), também estão em maior risco de desenvolver artrose dos joelhos. Você reconhece essa história que vou contar?

Quando o paciente relata : “eu não sei dizer quando essa dor começou, não teve nenhuma “pancada” ou torção do joelho, percebi piora com ganho de um pouco de peso e que tem história de artrose do joelho na minha família”. Isso é um quadro bem típico de artrose primária.

Já a ARTROSE SECUNDÁRIA é um pouco diferente. Nesses casos, existe alguma doença ou condição que leva ao desenvolvimento da artrose do joelho, que costuma ser até mais intensa e acometer pessoas mais jovens.

Por exemplo, podemos ter caso de artrose ou osteoartrite de joelho em pessoas com artrite reumatoide. A artrite reumatoide é uma doença que leva a inflamação da articulação, podendo acometer os joelhos. Quando não tratada de forma adequada, essa inflamação acelera muito o desgaste do joelho, podendo levar ao desenvolvimento de artrose, mesmo em paciente bem jovens. Outro exemplo de artrose secundária é após uma fratura do joelho. Nesses casos, pode haver uma lesão grave da cartilagem ou ficar uma deformidade no joelho, podendo levar ao desenvolvimento de uma artrose precoce.

Essa imagem vai te ajudar bastante a resumir e entender as causas e fatores de risco para artrose de joelho. É importante olharmos sempre o paciente como um todo, não apenas o joelho! Essa avaliação completa é que vai permitir a total compreensão do seu quadro, etapa fundamental na decisão do melhor tratamento.

Na grande maioria dos casos, a artrose do joelho é primária, sem nenhuma causa definida. Então como saber se é realmente artrose no meu joelho? O que eu vou sentir caso tenha artrose no joelho?

Geralmente, as queixas por dor e os sinais de artrose do joelho aparecem gradualmente. Muitas vezes, você não consegue dizer o exato momento que tudo começou. Isso acontece porque o desgaste da cartilagem e das outras estruturas do joelho no processo de artrose ocorre de maneira crônica e progressiva.

A principal queixa relacionada com a artrose de joelho é DOR. Ela costuma ser o primeiro sintoma a aparecer e trazer transtornos para você. A dor costuma piorar após movimentação excessiva ou atividades de impacto, como longas caminhadas ou subir/descer escadas. Um ponto interessante é que, mesmo em pessoas que não possuem uma perda muito grande da cartilagem, a dor pode ser muito intensa e limitante, devido ao processo inflamatório provocado pela osteoartrite.

Agora que você já entendeu que a dor é o principal sintoma da artrose de joelho, é preciso saber que ela não costuma vir sozinha! Diversas outras queixas costumam estar associadas.

SINTOMAS COMUNS

⦁ Rigidez articular: dificuldade para dobrar ou esticar o joelho todo, principalmente após passar um tempo parado. É muito comum ouvirmos isso: “De uns tempos pra cá estou tendo dificuldade para dobrar o joelho” ou “Quando eu passo um tempo sentado e vou levantar parece que o joelho não quer esticar ou dobrar todo”.
⦁ Edema/derrame articular: é o famoso joelho inchado. Você já teve aquela sensação de “criar água no joelho”? Isso ocorre pelo processo inflamatório da artrose do joelho e costuma agravar após algum esforço físico mais intenso.
⦁ Bloqueios e crepitações: sabe aqueles barulhos que o joelho costuma fazer? É o que chamamos de crepitação. Algumas vezes, pedaços da cartilagem ou do menisco podem ficar soltos e levar ao bloqueio do joelho, algo bem doloroso. Imagina esse pedaço de cartilagem como sendo uma “pedra no sapato” dentro do joelho. Isso pode incomodar bastante!
⦁ Deformidade dos membros inferiores: conforme a cartilagem e os meniscos vão sendo desgastados na artrose de joelho, pode haver o surgimento de alguma deformidade (o famoso joelho varo ou valgo). É como se perdesse um “calço” que dava apoio ao joelho. Você já teve aquela sensação de que o seu joelho está “entortando”?
⦁ Falseio e instabilidade: sabe quando parece que o joelho não te passa mais aquela confiança de antigamente? É como você achasse que ele fosse falhar e desequilibrar. Isso pode ser causado pelo processo inflamatório que pode enfraquecer os ligamentos, pelas deformidades e, principalmente, pela fraqueza muscular associada à artrose de joelho.

Eu quero que você guarde com atenção essas palavras: FRAQUEZA MUSCULAR. A gente ainda vai conversar bastante sobre isso lá na frente, já que o FORTALECIMENTO MUSCULAR é uma parte fundamental no tratamento da artrose de joelho.

Você apresenta algum desses sintomas? Se sim, imagino que deva ter ficado a seguinte dúvida: será que eu tenho artrose no joelho? Como eu faço para confirmar o diagnóstico de artrose? Então segue para o próximo tópico que vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre o diagnóstico da artrose do joelho.

Como a maior parte das patologias, o diagnóstico da artrose dos joelhos é feito através de um combinado de exame físico (a parte mais importante!) e exames complementares, que ajudarão a confirmar o diagnóstico e estabelecer um plano de tratamento com segurança.

No exame físico, devemos buscar todos aqueles sinais e sintomas que falamos anteriormente. Entender o padrão de dor é muito importante, tentando localizar o ponto mais intenso da dor (para tentar saber se é o mesmo das alterações nos exames de imagem).

Como já comentamos, a dor pode ser muito intensa, mesmo sem alterações graves no raio-x. É o que chamamos de “dissociação clínico-radiológica”. É quando o exame de imagem tem poucas alterações, mas mesmo assim, a dor é muito forte. Isso ocorre pelo fato da inflamação e das causas de dor na artrose serem complexas.

Da mesma forma, existem pessoas que possuem alterações no raio-x até avançadas, mas que não sentem dor. Essas pessoas acabam ficando preocupadas quando recebem o laudo do exame e vem escrito artrose de joelho. Veja bem, o diagnóstico de artrose do joelho é feito pelo exame físico (queixas clínicas do paciente) e exames de imagem. Só o raio-x não é suficiente. Por isso a importância de um exame físico completo para o diagnóstico correto da artrose de joelho.

Costumamos iniciar a avaliação por imagem com o raio-x, que é um exame excelente para avaliar a artrose do joelho. Vamos analisar a presença de osteófitos (os “bicos de papagaio”), redução do espaço articular, esclerose do osso subcondral e a presença de cistos ósseos. Lembra que já falamos sobre isso em um tópico anterior? Vou até colocar novamente aquela imagem para você rever

Um ponto importante é que esses pacientes com artrose dos joelhos merecem um acompanhamento contínuo. Desta forma, podemos garantir que iremos identificar de forma precoce (para também tratar de forma precoce e evitar complicações) casos de progressão da artrose. Por exemplo, você consegue identificar como “piorou o raio-x” desse paciente durante o seguimento?

Além do raio-x, a ressonância magnética também costuma ser útil na avaliação dos pacientes com artrose do joelho. Ela é mais importante nos casos mais leves, quando ainda não há destruição muito grande da cartilagem e contato “osso com osso” intenso. Nesses casos, a ressonância pode mostrar lesões e extrusões dos meniscos, sinovite (que representa a inflamação no joelho), falhas na cartilagem e um padrão de edema ósseo, que costuma ser bastante doloroso.

Essa imagem acima vai ajudar você a entender a ressonância. As setas brancas estão apontando o edema ósseo, que é quando o osso fica “mais branco”. O asterisco (*) representa o derrame articular e a sinovite ocasionados pela inflamação da artrose de joelho.

Com o diagnóstico correto da artrose de joelho, confirmado por exame físico e avaliação por exames de imagem, vamos para a parte que você mais quer saber: como vou tratar a artrose? Já te adianto uma coisa, na grande maioria dos casos, o tratamento adequado ocorre sem a necessidade de procedimentos e intervenções. Entretanto, para o sucesso desse tratamento VOCÊ É A PARTE MAIS IMPORTANTE! Os próximos tópicos vão trazer os principais pontos e o que há de mais atual no tratamento da artrose dos joelhos!

Como a população mundial está vivendo cada vez mais, a artrose tem se tornado uma condição muito comum. Isso desperta o interesse de pesquisadores do mundo inteiro, na busca de novas medicações e tratamentos. Apesar de todos os avanços, o pilar do tratamento da artrose de joelho é o fortalecimento muscular, controle do peso e educação do paciente sobre a artrose.

Quando falamos de educação do paciente sobre a artrose de joelho, queremos enfatizar a importância de você entender o seu papel no processo de melhora. Pessoas que tem a compreensão de que os resultados dependem do seu engajamento e participação na reabilitação apresentam os melhores resultados! Mesmo com todas as descobertas científicas, ainda não existe uma “pílula ou injeção mágica” para regenerar a cartilagem e curar a artrose. Conte com uma equipe de profissionais experientes e seja a parte ativa no seu tratamento!

Na grande maioria dos casos, a artrose dos joelhos pode ser tratada sem cirurgia ou qualquer procedimento. Entretanto, alguns casos (principalmente aqueles mais graves) necessitarão de algum procedimento para um tratamento adequado. Além da prótese de joelho ter evoluído bastante nos últimos anos, permitindo cirurgias menos agressivas e uma reabilitação pós-operatória precoce, novos procedimentos foram introduzidos na prática clínica, permitindo um leque maior de opções.

Importante ressaltar que o principal fator para o sucesso de qualquer cirurgia é a sua indicação correta, evitando procedimentos desnecessários ou que não trarão maiores benefícios. Conte sempre com um Especialista em Joelho competente para lhe ajudar nesse processo de decisão e escolha do melhor tratamento.

Recentemente, a OARSI – Osteoarthritis Research Society International publicou diretrizes (uma espécie de protocolo) ajudando os profissionais a guiarem o tratamento conservador (sem cirurgia) da artrose.

Após debates entre os mais renomados especialistas do mundo no tratamento da artrose, você sabe qual foi a conclusão sobre o tratamento mais recomendado para os casos de artrose de joelho, aquele que todos devem fazer?

⦁ EDUCAÇÃO DOS PACIENTES (TORNÁ-LOS PARTE DO PROCESSO)
⦁ FORTALECIMENTO MUSCULAR
⦁ CONTROLE DO PESO

Isso mesmo, aquilo que já comentamos antes! Pode até parecer meio repetitivo né? Mas estou fazendo isso de propósito, para deixar bem clara a importância do fortalecimento muscular nesse processo.

A imagem acima mostra alguns exercícios que você pode fazer em casa e que ajudarão no tratamento da artrose do joelho. Precisamos enfatizar aqui que é fundamental um acompanhamento com fisioterapeutas e profissionais de educação física competentes para que bons resultados sejam alcançados. Essas mudanças de hábitos devem fazer parte da sua vida, melhorando o seu bem-estar e permitindo que as atividades voltem a ser realizadas.

Apesar de falarmos muito no fortalecimento muscular para o tratamento da artrose de joelho, ele não vem sozinho. Sabemos que muitas pessoas procuram atendimento médico com um quadro de dor intensa e inflamação. Nesses casos, devemos utilizar medicações analgésicas e anti-inflamatórias para um controle inicial do quadro. Lembrando sempre essas medicações devem ser utilizadas após orientação médica, garantindo a segurança das mesmas.

A fisioterapia também é importante nesse processo, ajudando a reduzir a inflamação e dor no joelho, permitindo uma transição para o fortalecimento.

Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: “Doutor, e aquele remédio que repõe a cartilagem, posso fazer?”

Na realidade, nenhum remédio atual repõe a cartilagem nos casos de artrose. Existem medicações (condroitina/glucosamina, colágeno e várias outras) que são utilizadas no tratamento da artrose. Apesar de trabalhos poderem mostrar algum benefício (como melhora da dor), ainda faltam evidências científicas mais fortes que permitam o uso rotineiro dessas medicações. O que precisa ficar claro é que esses remédios não irão regenerar a sua cartilagem, mesmo que possam trazer benefícios no seu quadro.

Esse procedimento (que é simples e realizado no consultório, com anestesia local) pode ser bastante útil no tratamento dos pacientes. Naqueles casos com inchaço e derrame (“água no joelho”), só o fato de retirar o líquido já traz um alívio muito grande. Podemos associar o uso de um corticóide com efeito anti-inflamatório, melhorando ainda mais a dor. Lembrando que esses corticóides devem ser usados com cautela, já que o seu uso excessivo pode ser prejudicial para a cartilagem.

A infiltração com ácido hialurônico vem ganhando bastante espaço atualmente. De forma simplificada, o ácido hialurônico funcionaria como um “lubrificante do joelho”, melhorando o ambiente interno da articulação, associando-se com redução da dor. Devemos ressaltar que o ácido hialurônico também não repõe ou regenera a cartilagem (isso mesmo, ainda não existe nenhum remédio que regenere a cartilagem).

Quando bem indicado, o ácido hialurônico pode trazer bons resultados. Infelizmente, casos muito graves de artrose do joelho não costumam ter bons resultados com ácido hialurônico.

A associação de todas essas modalidades de tratamento conservador (não-cirúrgico), quando executadas de maneira correta, traz bons resultados na maioria dos casos. Isso mesmo, se seguirmos a reabilitação de maneira correta, a melhora dos sintomas da artrose no joelho será significativa. Entretanto, alguns casos (principalmente aqueles mais graves) não terão essa melhora, sendo necessária alguma intervenção cirúrgica. Explicaremos agora os vários procedimentos que podem ser utilizados no tratamento da artrose do joelho.

 

 

 

 

 

 

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